So.'. Ma.'.?
19-12-2010 20:23Lembrava daquela forte dor no peito. Como viera eu parar aqui? O ambiente me era familiar. Já estivera aqui, mas quando?
Caminhava sem rumo. Pessoas desconhecidas passavam por mim, contudo, não tinha coragem de abordá-las.
Mas, espere, que grupo seria aquele reunido e de terno preto?
Lógico! Não estariam indo ou vindo de um enterro; hoje em dia não é tão comum pessoas irem a velório com roupa preta. É claro! São irmãos!
Aproximei-me do grupo. Ao me verem chegar interromperam a conversa. Discretamente executei o sinal de aprendiz , obtendo resposta.
A alegria tomou conta de mim. Estava entre amigos.
Identifiquei-me. Perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo. Responderam-me com muito cuidado e fraternalmente. Havia desencarnado. Não tive mais dúvidas estava no oriente eterno.
Fiquei assustado; e a minha família, os meus amigos, como estavam?
- estão bem, não se preocupe; no devido tempo você os verá, responderam.
Ainda assustado, indaguei do motivo de suas vestes.
- estamos nos encaminhando ao nosso templo maçônico (foi a resposta).
- templo maçônico? Vocês tem um?
- sim claro, por que não?
Senti-me mais à vontade, afinal, sou um grande inspetor geral e com certeza receberei as honras devidas a meu grau.
Pedi para acompanhá-los, no que fui atendido.
Ao fim de pequena caminhada divisei o templo. Confesso que fiquei abismado, sua imponência era enorme. As colunas do pórtico eram majestosas, nunca vira nada igual. Imaginei como deveria ser seu interior e como me sentiria tomando parte nos trabalhos.
Caminhamos em silêncio. Ao chegar ao salão de entrada verifiquei grupos de irmãos conversando animadamente, porém, em tom respeitoso.
O que parecia o líder do grupo que me acompanhava chamou um irmão que estava adiante:
- irmão experto! Acompanhai o irmão recém chegado e com ele aguarde.
Não entendi bem. Afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no mínimo, uma recepção mais calorosa. Talvez estejam preparando uma surpresa à minha entrada; para um 33 não poderia se esperar nada diferente.
Verifiquei que os irmãos formavam o cortejo para entrada no templo. À distância, não pude ouvir o que diziam, contudo, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos. Adentraram silenciosamente no templo. Comigo ficou o irmão experto.
De tanta emoção não conseguia dizer nada. O tempo passou... Não pude medir quanto.
A porta do templo se entreabriu e o irmão mestre de cerimônias encaminhando-se a mim comunicou que seria recebido. Ajeitei o paletó, estufei o peito, verifiquei se minhas comendas não estavam desleixadas e caminhei com ele.
Tremia um pouco, mas quem não o faria em tal circunstância? Respirei fundo e adentrei ritualisticamente no templo.
Estranho... Esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riqueza. Verifiquei, rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande. Uma luz brilhante, vindo não sei de onde iluminava o ambiente.
Cumprimentei o venerável mestre e os vigilantes na forma usual. Ninguém se levantou à minha entrada. Mantinham-se calados e respeitosos.
Não sabia o que fazer... Aguardava ordens... E elas vieram na voz firme do ven mestre:
- So.'. Ma.'.?
Reconhecendo a necessidade do trolhamento em tais circunstâncias, aceitei respondê-lo.
Estufei o peito, estiquei o corpo e respondi:
- M.'. I.'. C.'. T.'. M.'. R.'.
Aguardei, seguro, a pergunta seguinte. Em seu lugar o V.'. M.'. dirigindo-se aos presentes, perguntou:
- Os Ir.'. aqui presentes o reconhecem como M.'. ?
Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta? O silêncio foi total.
Dirigindo-se à mim, o Ven.'. emendou:
- Meu caro Ir.'. Vi.'., os Ir.'. aqui presentes não o reconhecem como M.'. .
- como não?! Disse eu. Não vêem as minhas ins.'. ? Não verificaram os meus documentos?
- sim, caro Ir.'. , retrucou solenemente o Ven.'. . Contudo não basta ter ingressado na ordem, ter diplomas ou ins.'. , para ser um M.'. é preciso, antes de tudo, ter construído o "seu templo".
E verificamos que tal não ocorreu com o ir.'. . Observamos, ainda, que apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter galgado ao maior dos graus, não absorveu seus ensinamentos . Sua passagem pela arte real foi efêmera.
Não pude agüentar mais. Retruquei:
- como efêmera? Vocês que tudo sabem não observaram minhas atitudes fraternas?
Fui interrompido.
- ir.'. , vejamos então sua defesa...
Automaticamente desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa de televisão e na imagem reconheci-me junto a um grupo de ir.'. tecendo comentários desairosos contra a administração de minha loja. Era verdade. Envergonhei-me. Tentei justificar, mas não encontrava argumentos. Lembrei-me então, de minhas ações beneficentes. Indaguei-os sobre tal.
E mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a mão vazia no Tr.'. de Ben.'. . Era fato e, costumeiramente, o fazia por achar que o óbolo não seria bem usado.
Por não ter o que argumentar, calei-me e lágrimas de remorso brotaram-me nos olhos, iniciei a retirar-me cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autoritária e ao mesmo tempo fraterna do Ven.'. :
-meu ir.'. , reconhecemos suas falhas quando na orbe terrestre e na maçonaria, contudo, reconhecemos, também, que o ir.'. foi iniciado em nossos augustos mistérios. Prometemos em suas iniciações protegê-lo e o faremos. O ir.'. terá a oportunidade de consertar seus erros, afinal, todos nós aqui presentes já os cometemos um dia. Descanse neste plano o tempo necessário e, ao voltar à matéria para novas experiências, nós o encaminharemos novamente para a ordem maçônica. Sua nova caminhada com certeza será mais promissora e útil.
Saí decepcionado mas estranhamente aliviado.
Aquelas palavras parecem ter me tirado um grande peso. Com certeza ali eu desbastara um pedaço de minha P.'. B.'. .
Acordei, sobressaltado e suando. Meu coração disparado. Levantei-me assustado com certa alegria no peito. Havia sonhado!
Dirigi-me ao guarda-roupa. Meu terno ali estava.
Instintivamente retirei do paletó as medalhas e ins.'. e as guardei em uma caixa, para nunca mais usar.
Ainda emocionado e com os olhos molhados de lágrimas dirigi-me à minha mesa e com as mãos trêmulas e cheio de uma alegria enlevante, indescritível, retirei o ritual de A.'. M.'. e decidi começar tudo de novo
Lógico! Não estariam indo ou vindo de um enterro; hoje em dia não é tão comum pessoas irem a velório com roupa preta. É claro! São irmãos!
Aproximei-me do grupo. Ao me verem chegar interromperam a conversa. Discretamente executei o sinal de aprendiz , obtendo resposta.
A alegria tomou conta de mim. Estava entre amigos.
Identifiquei-me. Perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo. Responderam-me com muito cuidado e fraternalmente. Havia desencarnado. Não tive mais dúvidas estava no oriente eterno.
Fiquei assustado; e a minha família, os meus amigos, como estavam?
- estão bem, não se preocupe; no devido tempo você os verá, responderam.
Ainda assustado, indaguei do motivo de suas vestes.
- estamos nos encaminhando ao nosso templo maçônico (foi a resposta).
- templo maçônico? Vocês tem um?
- sim claro, por que não?
Senti-me mais à vontade, afinal, sou um grande inspetor geral e com certeza receberei as honras devidas a meu grau.
Pedi para acompanhá-los, no que fui atendido.
Ao fim de pequena caminhada divisei o templo. Confesso que fiquei abismado, sua imponência era enorme. As colunas do pórtico eram majestosas, nunca vira nada igual. Imaginei como deveria ser seu interior e como me sentiria tomando parte nos trabalhos.
Caminhamos em silêncio. Ao chegar ao salão de entrada verifiquei grupos de irmãos conversando animadamente, porém, em tom respeitoso.
O que parecia o líder do grupo que me acompanhava chamou um irmão que estava adiante:
- irmão experto! Acompanhai o irmão recém chegado e com ele aguarde.
Não entendi bem. Afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no mínimo, uma recepção mais calorosa. Talvez estejam preparando uma surpresa à minha entrada; para um 33 não poderia se esperar nada diferente.
Verifiquei que os irmãos formavam o cortejo para entrada no templo. À distância, não pude ouvir o que diziam, contudo, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos. Adentraram silenciosamente no templo. Comigo ficou o irmão experto.
De tanta emoção não conseguia dizer nada. O tempo passou... Não pude medir quanto.
A porta do templo se entreabriu e o irmão mestre de cerimônias encaminhando-se a mim comunicou que seria recebido. Ajeitei o paletó, estufei o peito, verifiquei se minhas comendas não estavam desleixadas e caminhei com ele.
Tremia um pouco, mas quem não o faria em tal circunstância? Respirei fundo e adentrei ritualisticamente no templo.
Estranho... Esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riqueza. Verifiquei, rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande. Uma luz brilhante, vindo não sei de onde iluminava o ambiente.
Cumprimentei o venerável mestre e os vigilantes na forma usual. Ninguém se levantou à minha entrada. Mantinham-se calados e respeitosos.
Não sabia o que fazer... Aguardava ordens... E elas vieram na voz firme do ven mestre:
- So.'. Ma.'.?
Reconhecendo a necessidade do trolhamento em tais circunstâncias, aceitei respondê-lo.
Estufei o peito, estiquei o corpo e respondi:
- M.'. I.'. C.'. T.'. M.'. R.'.
Aguardei, seguro, a pergunta seguinte. Em seu lugar o V.'. M.'. dirigindo-se aos presentes, perguntou:
- Os Ir.'. aqui presentes o reconhecem como M.'. ?
Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta? O silêncio foi total.
Dirigindo-se à mim, o Ven.'. emendou:
- Meu caro Ir.'. Vi.'., os Ir.'. aqui presentes não o reconhecem como M.'. .
- como não?! Disse eu. Não vêem as minhas ins.'. ? Não verificaram os meus documentos?
- sim, caro Ir.'. , retrucou solenemente o Ven.'. . Contudo não basta ter ingressado na ordem, ter diplomas ou ins.'. , para ser um M.'. é preciso, antes de tudo, ter construído o "seu templo".
E verificamos que tal não ocorreu com o ir.'. . Observamos, ainda, que apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter galgado ao maior dos graus, não absorveu seus ensinamentos . Sua passagem pela arte real foi efêmera.
Não pude agüentar mais. Retruquei:
- como efêmera? Vocês que tudo sabem não observaram minhas atitudes fraternas?
Fui interrompido.
- ir.'. , vejamos então sua defesa...
Automaticamente desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa de televisão e na imagem reconheci-me junto a um grupo de ir.'. tecendo comentários desairosos contra a administração de minha loja. Era verdade. Envergonhei-me. Tentei justificar, mas não encontrava argumentos. Lembrei-me então, de minhas ações beneficentes. Indaguei-os sobre tal.
E mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a mão vazia no Tr.'. de Ben.'. . Era fato e, costumeiramente, o fazia por achar que o óbolo não seria bem usado.
Por não ter o que argumentar, calei-me e lágrimas de remorso brotaram-me nos olhos, iniciei a retirar-me cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autoritária e ao mesmo tempo fraterna do Ven.'. :
-meu ir.'. , reconhecemos suas falhas quando na orbe terrestre e na maçonaria, contudo, reconhecemos, também, que o ir.'. foi iniciado em nossos augustos mistérios. Prometemos em suas iniciações protegê-lo e o faremos. O ir.'. terá a oportunidade de consertar seus erros, afinal, todos nós aqui presentes já os cometemos um dia. Descanse neste plano o tempo necessário e, ao voltar à matéria para novas experiências, nós o encaminharemos novamente para a ordem maçônica. Sua nova caminhada com certeza será mais promissora e útil.
Saí decepcionado mas estranhamente aliviado.
Aquelas palavras parecem ter me tirado um grande peso. Com certeza ali eu desbastara um pedaço de minha P.'. B.'. .
Acordei, sobressaltado e suando. Meu coração disparado. Levantei-me assustado com certa alegria no peito. Havia sonhado!
Dirigi-me ao guarda-roupa. Meu terno ali estava.
Instintivamente retirei do paletó as medalhas e ins.'. e as guardei em uma caixa, para nunca mais usar.
Ainda emocionado e com os olhos molhados de lágrimas dirigi-me à minha mesa e com as mãos trêmulas e cheio de uma alegria enlevante, indescritível, retirei o ritual de A.'. M.'. e decidi começar tudo de novo
Ir.'. FRANCISCO GERALDO FERNANDES DE ALMEIDA
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